How Rational Are We?
Esse é o meu primeiro texto, espero que de vários. O exercício da escrita me parece muito interessante pra fixação de ideias e até para um maior entendimento próprio. Em um cenário onde as tecnologias parecem estar nos engolindo dia após dia, eu diria que a inteligência emocional e capacidade de lidar com frustrações seria sem dúvidas uma das top 3 skills dos nossos tempos. Dito isso, que maneira melhor de desenvolver essa soft skill se não tomando consciência dos lados positivos e negativos, das qualidades e defeitos, das coisas que realmente fazem sentido real de eu possuir lacunas e das que não fazem.
Antes de entrar no assunto em si, acho que vale apena discutir o mérito do porquê a reflexão do eu seja tão importante. Eu vou dissertar durante o texto alguns argumentos relacionados, porém meu argumento principal seria de que auto consciência ajuda separar o que é real do que não é, e ser objetivo em relação à isso, porque é muito fácil sermos manipulados por sentimentos ou situações.
Dado um pouco de contexto, cabe a reflexão do eu. É impressionante a capacidade que temos de enxergar melhorias nos outros, e a dificuldade em nós mesmos. A capacidade de se distanciar do eu está intrinsicamente ligada a esse desenvolvimento de inteligência emocional. Não existe fazer uma análise do eu sem esse distanciamento, somos extremamente enviesados por nossas experiências, e, além disso, somos seres que agem de modo geral a economizar energia. No livro thinking fast and slow o autor trata de dois sistemas da nossa mente, dando como exemplo que o sistema 1 trabalha em tarefas que quase não exigem, como falar quanto é 2+2, ou entender a cara de uma pessoa com raiva, já o sistema 2 pra atividades mais complexas, como dirigir em uma via movimentada. Eu parei pra refletir sobre esses conceitos e realmente cai da cadeira. Claro que não da pra resumir o comportamento da mente humana à isso, mas, eu me considerando sempre uma pessoa muito racional e analítica, estava realmente desconsiderando esses mecanismos da mente que mudam absolutamente o game. Não interessa o quão racional eu seja, ou o quanto minha linha de raciocínio em geral faça sentido, se eu não transformar isso em ações/desempenho real, nada disso vale, e ai entra a inteligência emocional. A inteligência emocional entra no dia a dia, nas pequenas decisões que são tomadas de tal forma que seu cérebro está majoritariamente nesse modo de economizar energia. Parece óbvio, mas, da mesma maneira que um jogador de xadrez que tem anos de experiência jogando o jogo vai ter uma intuição muito mais precisa que uma pessoa comum nas decisões de pouco gasto enérgitico e cálculo de um jogo, da mesma forma uma pessoa com esse sistema mal calibrado, apesar do quão desenvolvido for suas capacidades de aprendizado, estará fadada a tomar decisões irracionais a longo prazo. E esse é o ponto que talvez me encontre, com esse sistema mal calibrado. Ele representa um estado da pessoa, não necessariamente o que ela é em si, de forma que ele é muito moldável. Você não precisa necessariamente ser uma pessoa que tem hábitos exemplares desde os 5 anos de idade como um jogador de xadrez pra desenvolver uma excelência desse sistema no dia a dia, mas só o fato da consciência de sua existência já faz o jogo virar. Em períodos que recebemos enxurradas de dopamina barata e passamos poucos momentos refletindo/produzindo de verdade coisas, é evidente que grande parte disso vem de uma mente mal calibrada.
O objetivo não é eliminar o sistema 1, e sim adiquirir a estabilidade emocional pra que ele se torne uma vantagem, não uma vulnerabilidade.