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Everyone knows what to do, but no one does

Eu estudei minha vida toda, da infância até o último ano do ensino médio, em um colégio privado top 20 da minha cidade. A infraestrutura do colégio era bem boa, mas os professores num geral e os alunos nem tanto. Não tenho muito direito de criticar também, porque sempre fui aluno medíocre, no sentido de não estudar direto pras matérias e sempre ficar esperando pelo próximo momento de diversão, seja nos esportes na escola, seja em casa no vídeo game. Entretanto, ao entrar no ensino médio, fase que usualmente as pessoas tendem a despertar um pouco mais pra vida devido a maturidade e proximidade com o fim do ciclo escolar, senti que não existiam ambições muito grande da galera, nem da parte acadêmica ou profissional. Essa falta de ambição eu talvez não colocaria a culpa na família - apesar de ser um elemento de suma importância na formação do indivíduo, nessa questão específica tenho minhas ressalvas -, e definitivamente não somente nos alunos, visto que são muito novos e estão ainda em fases de descobrir as coisas. Pra mim eu vejo como principal problema o próprio modelo educacional e o ecosistema criado em torno dele. Um colégio que nem o meu, que tem altas mensalidades, e está concorrendo com outros colégio de elite que possuem taxas de aprovações maiores nos vestibulares, sem dúvida cria um ecosistema no mínimo não tão desafiador que esses demais, visto que provavelmente os piores alunos vão pra esse colégio, e esses alunos tem que passar de ano pro colégio se manter. Além desse fator, daria pra entrar em todo um debate sobre o modelo educacional em si e como ele não é suficiente em explorar as qualidades e defeitos de cada pessoa, mas não é meu ponto agora.

No terceiro ano do ensino médio, ano que você não tem outra opção se não cair a ficha, foi sem dúvidas o ano que eu realmente dediquei e entreguei resultados. Meu objetivo era claro: passar na melhor faculdade do meu estado, não sabia exatamente qual curso, mas pensava bastante sobre engenharia, área que que escolhi mais tarde dentro especificamente de controle e automação. Foi um ano bem atípico, 2020, ano de pandemia e ano que sem dúvida nada me pararia pra concluir meu objetivo. Muitos desafios houveram ao longo do caminho, mas sinto que dediquei tudo que tinha pra dedicar pra cumprir o objetivo, o que me deixou reflexões posteriores. Eu não tive um desempenho absurdo no vestibular da faculdade, e nem estava concorrendo exatamente pros cursos com maiores notas, mas definitivamente a área que eu estava entrando havia concorrência o suficiente pra me despertar uma questão: porque um aluno "medíocre" durante grande parte do seu percurso escolar, concorrendo com pessoas de colégio privado e públicos de várias partes do país e do estado, conseguiu passar na melhor faculdade do estado, top 5 país, com um ano de estudo? Definitivamente eu já enxergava ne mim uma capacidade de aprender de forma mais fácil que os outros, principalmente em áreas muito importantes para o desempenho no vestibular, como matemática, mas isso não justifica o grau de competitividade que eu me deparei. Se eu fiz isso em um ano, porque outra pessoa não conseguiria também fazer? Claro que no pensamento eu tentava pensar em retirar dessa conta pessoas em condições piores que as minhas, eu tava tentando refletir sobre um pé de igualdade, seja la o que isso signifique(pelo menos do ponto de vista financeiro, o que também não é exatamente uma métrica boa, teria que refletir mais sobre).